quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Texto 1

Alienação do real,
separação do comum
num mundo vulgar...
diferente!
Cores já pintadas,
textos já lidos,
ideias repetidas de valores...
embolorados!
Olhares recheados,
visões de memória
da sabedoria crescente...
de outrora!
Sentimentos vãos,
ditados no ar
sem rima nem verso...
mas pejados de vida,
cansada e tardia!






quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Mudança

Muda o tempo
e a cor do vento!
Tudo muda,
muda tanto,
muda a rotina
que brada em pranto!
Sirvam-me cognac,
tragam cálices de licor,
encham-me de golos de amizade
para inebriar a lucidez do tempo!
Passou.
Tudo passou,
menos a ressaca do que em mim ficou!


  

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A ti, João!

"A escrita acabou.
Ficam os textos por dizer."

Lês nas entrelinhas
linhas já escritas
decifradas sem código.
Se daqui arranca um novo texto...
Se daqui sai uma nova vaga...
Se virão ensaios de prosa 
rimados com inspiração...
Se...valorizas uma frase...
...então prometo voltar.
Voltar sem acordo!
Apenas prometo voltar
com letras de outono
embrulhadas no sono das folhas caídas!



domingo, 25 de outubro de 2015

Escrita não ditada...

A escrita está perra,
vazia, oca, seca de química a narrar!
Falta o sentimento da cor,
o cheiro do sonho,
ou, tão somente, a visão das coisas não feitas!
A escrita...
... aquela doce delicadeza,
do sabor quente sentido 
do trago a pimenta não incluído...acabou!
A escrita acabou.
Ficam os textos por dizer.
  

domingo, 11 de outubro de 2015

Tempo presente

A cor do dia acinzentou!
Escureceu o barulho do verão,
iluminando, lusco-fusco, 
a brisa silenciosa na queda de folha!
Ouve-se, ao longe, a azáfama das colheitas,
das vozes que as uvas cortam,
a ligeireza no despir das espigas
e dos pulos quentes das castanhas.
Sente-se no ar o tempo que muda
na mudez da metamorfose da lua!
Sinais do tempo presente
num presente embrulhado de futuro!

domingo, 4 de outubro de 2015

Ando...andando!

Ando a ver sem olhar...
...aquela árvore que dança sem parar
e o vento que assobia ao passar!
Ando a sentir sem tocar...
...aquele corpo cansado de caminhar
e a voz calada perdida no olhar!
Ando ouvinte do silêncio...
...da voz repetida que não cansa de perguntar
e da mão meiga que fala ao abraçar!
Ando andando...
...caminhante no presente,
sem pressa de avançar!