quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Bom se...

Alheia-te de tudo
e
esquece o que ainda não viveste!
Respira fundo e senta-te,
o mundo não espera por ti,
é certo!
Mas, senta-te!
Se tens pressa, organiza-te!
Se te organizares,
 morrerá a pressa dentro de ti!
Quando a acalmia te invadir,
fecha os olhos, e vive!
Corre atrás e repousa.
Bom serão... 


terça-feira, 17 de novembro de 2015

medida do tempo


O dia acaba às 10h!
fecham-se as portas
apagam-se as luzes
desligam-se os sons
concentra-se a atenção no silêncio do ruído...
O dia acaba agora!
no fim das horas
no termo do tempo
no trajeto acabado
na rua escura fechada
percebendo passar o tempo já gasto!
O dia é tão comprido...





sábado, 14 de novembro de 2015

Sentimento de mim...

Sentimentos de mim,
de ti,
do mundo...
de quem olha e vê de perto.
Pulsares de revolta,
de ira ruborescida,
de raiva não escondida...
por tanta gente morta!
Pensamentos turbulentos,
atabalhoados,
atropelados em consciência,
num ritmo de vida evoluído no amor
sem perdão para as falhas...
Explosivos sentimentos
detonados no abraço da paz!


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Eternamente

Eternamente...
...é muito tempo!
 É sempre!
É ontem, hoje e será amanhã!
É o amor que chega e abraça
É o abraço que nos cola de afeto
É o mimo que se envia no envelope 
endereçado com sorrisos!
É tudo e nada!
É presença e ausência!
É olhar e fechar os olhos!
É fechar os olhos.
Eternamente, de olhos abertos!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Tempo de histórias

Esmagou o calor!
Anulou-o num banho frio de outono,
em água corrente de ideias!
Vieram em bardo,
eram muitas e alinhadas!
Atropelou o aquecimento!
Deixou-o fugir com as folhas caídas na rua!
E voaram.
Voaram varridas no momento
no tempo que veio em pranto
do chamamento de histórias!
Foram sentidas.
São vividas!
Serão redigidas
no frio que está para vir.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Histórias escritas ainda por ler

Na relva por ti semeada
pisam-se histórias firmes de alento!
Quanta horas ali sentada,
adivinhavas a direção do vento. 
Um dia fui tempestade, outro  brisa,
por vezes rajadas de sonhos,
com descidas à terra,
consciente!
E tu ouvias...
...orientavas!
Ensinavas o cheiro da terra
e alargavas o horizonte do olhar,
sorrindo!
Há mais histórias por ler
na memória por ti cultivada
e cuja vida encerrou...malvada!


domingo, 8 de novembro de 2015

Brilhos

De mãos dadas com a lua
olhou de soslaio o sol,
piscando o olho, encandeada!
Brilhou toscamente,
entre uma lágrima solta
e um sorriso franzido,
enrugando-se feliz no olhar!
Trouxe poesia...
...livrando-se dos textos encalhados
que respiravam bolor!
De mãos dadas com a lua...
vagueou entre os livros
lendo o luar à luz tosca do seu olhar!


sábado, 7 de novembro de 2015

Divagações

Há um rodopio doentio,
de recuo e avanço,
de ida e volta,
de danças paradas no tempo
do passo apressado que parou
no mundo calado, falador!
Há um fogo que iça o pranto
que laça a acalmia desassossegada
e
empurra a onda que parou, molhada!
Afogou a gargalhada
num rio sem lábios
onde o toque mergulhou no ser
ressuscitando o sorriso,
(sobre)vivendo!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Há flores no chão

Há flores no chão,
cheiros perdidos,
passos embrulhados em crepe
com laços de embaraço!
Há sons soltos no ar
vagueantes de matéria vazia
presos a olhares tremidos de pena!
Há tempo percorrido, gasto, 
achado no relógio de alguém
com minutos que correm sem passar!
Há espera
Há esperança
Há uma mão estendida que dá
e uma outra que te agarra
e respira!
Há flores no chão...



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Texto 1

Alienação do real,
separação do comum
num mundo vulgar...
diferente!
Cores já pintadas,
textos já lidos,
ideias repetidas de valores...
embolorados!
Olhares recheados,
visões de memória
da sabedoria crescente...
de outrora!
Sentimentos vãos,
ditados no ar
sem rima nem verso...
mas pejados de vida,
cansada e tardia!






quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Mudança

Muda o tempo
e a cor do vento!
Tudo muda,
muda tanto,
muda a rotina
que brada em pranto!
Sirvam-me cognac,
tragam cálices de licor,
encham-me de golos de amizade
para inebriar a lucidez do tempo!
Passou.
Tudo passou,
menos a ressaca do que em mim ficou!


  

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

A ti, João!

"A escrita acabou.
Ficam os textos por dizer."

Lês nas entrelinhas
linhas já escritas
decifradas sem código.
Se daqui arranca um novo texto...
Se daqui sai uma nova vaga...
Se virão ensaios de prosa 
rimados com inspiração...
Se...valorizas uma frase...
...então prometo voltar.
Voltar sem acordo!
Apenas prometo voltar
com letras de outono
embrulhadas no sono das folhas caídas!



domingo, 25 de outubro de 2015

Escrita não ditada...

A escrita está perra,
vazia, oca, seca de química a narrar!
Falta o sentimento da cor,
o cheiro do sonho,
ou, tão somente, a visão das coisas não feitas!
A escrita...
... aquela doce delicadeza,
do sabor quente sentido 
do trago a pimenta não incluído...acabou!
A escrita acabou.
Ficam os textos por dizer.
  

domingo, 11 de outubro de 2015

Tempo presente

A cor do dia acinzentou!
Escureceu o barulho do verão,
iluminando, lusco-fusco, 
a brisa silenciosa na queda de folha!
Ouve-se, ao longe, a azáfama das colheitas,
das vozes que as uvas cortam,
a ligeireza no despir das espigas
e dos pulos quentes das castanhas.
Sente-se no ar o tempo que muda
na mudez da metamorfose da lua!
Sinais do tempo presente
num presente embrulhado de futuro!

domingo, 4 de outubro de 2015

Ando...andando!

Ando a ver sem olhar...
...aquela árvore que dança sem parar
e o vento que assobia ao passar!
Ando a sentir sem tocar...
...aquele corpo cansado de caminhar
e a voz calada perdida no olhar!
Ando ouvinte do silêncio...
...da voz repetida que não cansa de perguntar
e da mão meiga que fala ao abraçar!
Ando andando...
...caminhante no presente,
sem pressa de avançar!