sábado, 30 de janeiro de 2016

Porque sim...

Hoje vim até aqui
ao canto das letras adormecidas
embaladas na melodia da reflexão!
Hoje vim porque...
...porque me apeteceu tilintar as teclas já apagadas,
enferrujadas de som,
saudosas do dedilhar quente de apressado!
Apressado...
...corrido sentido dado ao texto
escurecido de vontade
adormecido de cansaço
num leito já gasto de leituras.
Hoje vim até aqui...
...porque sim!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Gravados os textos,
num timbre de voz improvisado,
soltaram-se lágrimas na despedida da palavra!
Foi apenas um adeus,
um não retorno ao marasmo das letras,
 por tempo indeterminado!
Guarda a sete chaves a felicidade sentida
e não a segredes a ninguém...
...para que te não levem as letras já escritas!
Guarda-as.
Serão elas a tua almofada
no sono não dormido.




quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

papel e lápis

Vi-te no regresso ao anonimato,
ao recato do teu canto
no desejo de um beijo envolto numa manta de lã!
Senti-te no silêncio da voz perdida,
na imagem guardada de sonho sonhado.
Vi-te despedida, despida de vontades.
Vi-te num adeus às letras,
aos tons e aos sons do teclado.
Vi-te de volta e, na volta,
deixei de te ver!
Foste ilusão!
Foste afirmação!
Foste páginas de escrita livre,
num voo com asas por levantar!
No regresso, vi-te na leitura,
sem lápis nem papel!



segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Muda o ano...muda o tom

Muda o ano,
muda o tom do olhar,
redigido na cor da palavra escrita!
Camaleão literário,
louca mente criativa
que derrotada de vontade 
se encerra na escrita!
Abre o olhar,
ruma ao horizonte, 
mergulha na linha que não alcanças
abraçando o inatingível mundo de saber escrever!
Vai. 
Treina o voo...



sábado, 2 de janeiro de 2016

(re)Começar

Recomeçar!
Conta de novo os números que se repetem,
inova na contagem para que não se rompam...
...começa.
Avança!
Lança no tempo o teu olhar,
olha o mundo de novo sem cansar...
...observa!
Cala-te!
Não digas o que pensas,
mas pensa em tudo que ouves,
(des)valorizando!
Vive!
(re)Vive!
Faz da vida uma festa...
...em cada novo dia!





quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Brinde!

Estão prontas a rodar
as rolhas que selam o sabor a ti!
Rodam a estalar
para copos que cruzam por amor!
Há sorrisos no ar que borbulham,
salpicam,
dançam no tilintar  da hora
ao ritmo dos olhares que vagueiam
e se encontram entre si!
O brinde não espera por hora
e, por ora,
brindemos aqui! 
Tchim! Tchim!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Enamoramento pelas letras...

Não escreve o passado,
porque já passou!
Também não escreve o que está por vir,
porque ainda não passou!
Talvez saiba apenas escrever o que passa agora,
porque, nas pontas dos dedos, prende o presente!
Deita as palavras em folhas papel-de-arroz
e embala-as...
...salpicando-as entre tinta permanente e carvão,
pintando-as...
Enamorou-se delas,
namora com elas.
Pede-lhes a mão
e casa-se com elas!
Redige o romance,
num ensaio de lucidez enlouquecida.
Sente-se inebriada pela alcoolemia das palavras por escrever.


domingo, 27 de dezembro de 2015

Arrumações

Arruma a tralha do passado
em jeito de esquecimento saudável!
Arruma-a para o canto do sossego
como quem limpa a poluição do medo!
Limpa o que não aprecias,
esquece os lembretes vãos!
Se os escreves porque os lembras? 
Para tentar não falhar em nada?
-Falha e atropela-te, desde que não partas nada!
-Erra e corrige-te, desde que a lição valha a pena!
-Repete-te no sorriso, 
na doce tradição de ti em nós,
na memória mais pequena da alma,
no toque, no cheiro, na voz...
...na voz!
Entre a ternura da saudade do que eras
e
a lágrima que mora em mim pelo que és!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Hoje, em casa...

Hoje,
na sedução do tempo,
na alegria de abraçar quem chega,
na abertura da porta que sorri enamorada,
na certeza que a vida segue...sem espera!
Hoje,
quando à noite se programa o dia da grande véspera,
cai a lágrima com saudades de ti.
TU
que sempre fizeste de tudo 
um motivo para celebrar.
A TI,
um afago no cabelo que de seda se pinta,
um olhar nos teus olhos que de amor se preenchem,
um toque na pele que se enruga de encanto!
Hoje, em casa,
na tua casa de afetos,
na minha casa de mimos...


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Leitura de ti

Juro que te vi aluada,
de olhos perdidos na nudez do rubor que, envergonhado, te mostrou a tez!
Juro que te vi sorrir
das conversas não tidas
e do conluio sentido pelo silêncio!
Vi-te diferente,
de mãos quentes de dádiva
e abraços apertados de presentes.
Olhei-te cansada do dia...
...momentos de reflexão vago,
num vazio preenchido por ti!
Juro que te li.




quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Terra

No toque leve sentiste a humidade da terra!
Fria.
Escura.
Calada.
Assim,
terra esquecida lembrada de nada!
Quando lhe poisaste a mão, molhada,
mudaste o olhar, transtornada!
Porque tocas a terra quando as nuvens se chegam a ti?
Eleva-te ao céu e seca o chão,
porque no lançamento do teu olhar
vê-se o tamanho do sonho...ficção!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A forma de conjugar

Aprendi
recentemente
a forma de conjugar o verbo.
Poderia ser ignorar,
poderia ser esquecer,
poderia ser observar
e
aprender!
Aprendi
(somente ontem)
a oferecer,
a dar,
a partilhar,
a falar em discurso direto
o verbo 
cuidar.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Em fuga...

Na pacatez do frio,
enrola na manta o pensamento,
aquecendo os minutos do dia!
Levanta-se envergonhada,
estica-se espreguiçando os sonhos
que, por momentos, adormeceram!
Na pacatez do frio,
arrepia a vida, aquecendo as horas com alento!
Anda!
Começa devagar,
dá sinais de si ao acordar
e canta a alvorada!
Olhar o frio
arrepia-a de sorrisos
e impõe-lhe um sol que teima em não despertar!
Assim,
andando devagar,
pelo calor do dia...a terminar!



sábado, 12 de dezembro de 2015

Brilhos silenciosos

Assiste,
vê a cor cintilante do clima,
senta-te, 
agarra-lhe a magia e sonha...
Já pensaste na cor das estrelas
e no tom que darás ao céu quando lhe tocares?
Explosiva(mente), brilha.
tilinta o som dos teus toques
pois deles lembrarei ao regressar.
Gostaria que o sonho não parasse
e nele acordasse a brilhar.
Assiste!
Verás brilhos silenciosos a soprar


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Incerteza

ela mora só,
isolada na dúvida,
num local obscuro 
murado de (des)conhecimento!
fechou o circulo de amigos,
encerrou os sorrisos forçados,
despejou o som dos passos dados em falso
num qualquer balde de fastio!
deixou de acreditar nas certezas
agarrando-se às interrogações de si,
por si, para si!
ela mora só,
na incerteza do predicado
inscrito no verbo 
amar!