terça-feira, 27 de outubro de 2009

Navegar

Foto da net
Se a vida fosse um origami
Desenhá-la-ía em bote
Vincaria todos os vértices
Navegaria rumo a um norte!
Em cada página já escrita,
Desse mar imenso a percorrer
Daria a todos um convite
Pediria mais letras para escrever!
Quem viria salvar a tripulação?
A revista de eleição?
Talvez aquela com um olhar atento
Aquela que mostra ter visão!
Mas, antes do trajecto feito
Iria esgotar todas as palavras
Não lhes poria um defeito
Apenas as leria agradada!

domingo, 25 de outubro de 2009

Foto da net Cai a chuva, intensamente impiedosa,
molha tudo, molha todos, cai muito chorosa!
Para uns vem em desagrado do dia,
para outros vem abençoar as horas!
Cai, cai intensamente! Cai bem melodiosa!
Cai em pranto pelos desprevenidos,
cai sorridente pelos glamorosos!
Hoje vieste para mim, para aos saltos te receber
Vou brincar no charco que me ofereceste
Para que me possas ver!
Vou saltar, pular, ouvir os meus chlap-chlap!
Vou gargalhar na tua poça de água,
vou pedir que regues mais o meu prazer!
Cai chuva, cai! Vem abençoar quem de ti gosta!
Vem comigo pular, saltar, brincar,
pois enquanto te sinto no rosto, sei que há pele para te saudar!
Cai chuva, cai!
Brinda-me num dia de sol,
em que esteja preparada para ti, para no teu charco entrar!
E depois de chapiscar no solo,
Depois de em ti pular,
Vou ficar leve como uma criança,
e estarei pronta para voltar...!
Hoje oiço os pingos da chuva numa serenata ao luar!
Vou dormir feliz enquanto continuo a ouvir os pingos da chuva a cantar!

sábado, 24 de outubro de 2009

Pinceladas de sábado

Foto da net
Hoje larguei a agulha e peguei no pincel,
escolhi na paleta de cores as preferidas
olhei o céu e dei-lhes vida,
com rasgados traços desenhados na tela!
Hoje liguei a mais suave melodia,
onde o som da flauta se evidenciava,
e no horizonte do imaginário morava
a mais bela dança de nuvens, numa só sinfonia!
Depois, apaguei a chuva, soprei as nuvens,
Esbocei um sorriso e ...pincelei mais uma vez!
Dei comigo azul, branca, de olhos bem fixos na tela
Onde as marcas da suavidade se transferiram
E nela ficaram a morar os sinais mais claros
De um dia tranquilo, vivido na pacatez da cidade,
Onde mora um céu partilhado com o olhar do mundo,
Repartido por todos os que para ele olham!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Silêncio de Vidro - Maria Eugénia Cunhal

Foto da net

Obrigada, amiga Jackie, pela partilha deste maravilhoso poema!
Não poderia ficar com ele guardado, no meu baú de poesia brilhante!
Este poema ofuscava mesmo se trancado com a chave do carinho.
Obrigada! Muito obrigada! Adorei.


"Olha-me bem nos olhos
E diz-me se acreditas
Que eu possa alguma vez
Já não gostar de folhas secas
Das velas remendadas das fragatas
Do sol, do céu, dos búzios, das estrelas
Do mar batendo a areia
Dos voos das gaivotas
Duns olhos que se dão numa promessa
Das lágrimas, do riso, da alegria
Da nona sinfonia,
Do calor que uma mão consegue dar
A outra mão, sem mesmo lhe tocar
Dos girassóis que Van Gogh pintou

Olha-me bem nos olhos
E diz-me que acreditas
Que até a morte vir
Eu hei-de amar as coisas que tu amas
E nelas sempre te encontrar a ti."


Maria Eugénia Cunhal - Silêncio de Vidro

domingo, 18 de outubro de 2009

O olhar do coração

Vamos viajar...
Depois da ilusão do Principezinho,
Decidimos redecorar o teu quarto
Peguei na agulha, na linha,no desenho de encantar,
Comecei a bordar...
Vais voar entre a lua, o sol, os asteróides!
Vais encantar com os pequenos vulcões,
Vais delirar com uma rosa vermelha na mão!
Adoraste a história quanda a li.
Estás a adorar ser tu a lê-la!
E um dia, quanda a voltares a ler,
vais perceber que a lição que este menino dá todos a deveriamos aprender:
"As coisas mais importantes são muitas vezes invisíveis para os olhos!
Só com o coração é que podemos vê-las"
Para o teu quarto, não vão só aguarelas...
Vão os bordados da mamã,
Com a certeza que estou a ajudar a construir
UM BELO SER HUMANO!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Piso cinzento

Foto da net Neste fim de tarde de Outono,
vi-te apressado, pensativo e preocupado!
O vento soprava devagarinho e despenteava-te
Mas eras tu quem arrepiava o tempo!
Caminhavas ligeiro, distante, embrulhado em ti mesmo
Sem ouvir a voz do vento que te soprou a mimar!
Ouviam-se os passos decompassados na concentração de ti!
Que trajecto desenhavas?Que pensamento levavas?
A preocupação que carregavas definiu-te cinzento
Tal como o chão que pisavas,um triste cimento!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Foto da net

Ontem, hoje, amanhã!
Cairam, caem, cairão!
Foram a pujança da árvore.
São o tapete da rua,
serão nova vida em humus,
em seres que na terra perdurarão!
Mas caem uma a uma,
delicadamente poisam no chão!
O vento sopra frocho
E a queda não tem perdão!
Se se levantam novamente
Ouve-se um ligeiro sorrir
parecem meninas da dança
anciosas por partir!
Sois tão belas quando sós
Mais belas ainda acompanhadas
Pareceis damas da corte
Nos dias de festa, envergonhadas!
Chamais um lenço ao pescoço
Incentivais o vestir mais quente
Das vossas cores tiram-se modas
Adivinhais-vos Outono,de cor ardente!

Olha...sente

Vi-te doce Vi-te d'alma Vi-te dono de mim e em mim vi-te doçura! Bebi-te intenso, Vivi-te pensamento, reflexão! E, no relógio que o te...