quinta-feira, 27 de março de 2014

Abandono

foto da net
Porque me deixas só, agora que estou velho?
Já não sirvo para acompanhar? Mas, preciso de companhia!
Já não acompanho a caminhada? Mas faço parte do caminho!
Já não debato ideias? Mas sou um discurso direto!
Já não oiço à primeira? Mas percebo-te quando oiço!
Já não como como te ensinei? Mas gosto de companhia à mesa!
Irás passear comigo no dia em que me for
e chorar de saudade pelo que fui?
Já não sou novo e sinto-me partir, devagarinho!
Mima-me agora, enquanto cá estou e dou valor!
Porque amanhã serei memória e
  somente saudade do que para ti não fui!

14 comentários:

  1. Tristeza que dá,não? Lindo teu olhar e poesia! beijos,chica

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    1. Chica, que nunca façamos sentir tristeza quem connosco se cruza...
      Mil beijinhos

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  2. Já não acompanho a caminhada? Mas faço parte do caminho!

    Unha vez mais Luisa Vilaça describe maravillosamente.....precioso poema

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  3. É a força das circunstâncias que tantas vezes nos quase obriga a uma aparente menor atenção aos nossos ascendentes.
    O final do teu poema é muito forte, Luísa :
    " Porque amanhã serei memória e
    somente saudade do que para ti não fui ! "

    O A.O. não dá jeito nenhum, como viste naquele duplo >como<.

    Um beijo e as minhas felicitações.

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    1. João,
      tens toda a razão quanto ao A.O.
      Quanto ao resto, tento contornar as forças das circunstancias...
      bjnhs

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  4. Luisa ...solo decirche que estou a chorar...

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    1. Carmen, doce amiga,
      a emoção só mora no coração de quem se dá...
      Bjnhs

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  5. Muito bonito! Beijinhos da Cláudia Bastos

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  6. Luísinha, que bem que escreve !
    É um poema que me emociona muito, e é tambem um murro no estômago.
    Beijo. Fi

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    1. Seremos sempre as vozes do contrário, certo?
      Sem murros no estômago...
      Beijinhos, Fi!

      ;-)

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  7. Ah, Luisinha, aqui vê-se o coração a palpitar! E quanta verdade dorida aqui presente! E que bom seria para os nossos idosos se, todas as flores e presença vista nos cemitérios a um de novembro, pudesse ter lugar enquanto vivem... Um abraço, minha amiga.

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    1. Joaquim Ribeiro,
      aqui está um olhar que sente e faz o contrário mas que vê muito abandono pelo caminho!

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Olhares de perto